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// Entrevistas

27.12.2009

Depeche Mode

Referência Electrónica

Os Depeche Mode, - Martin Gore, Dave Gahan e Andrew Fletcher -, são reconhecidos pela enorme fama que atingiram com canções como “Just Can't Get Enough” e “Personal Jesus” e, em época de vacas magras, podem gabar-se de já ter vendido mais de 100 milhões de álbuns. Com uma carreira que atravessa quase três décadas a sua marca na história da música está bem presente e já fez escola. Durante a minha década de jornalismo, e nas inúmeras entrevistas que conduzi a DJs e produtores, pude constatar que o nome dos Depeche Mode é referido amiúde. O grande motivo para isto, e que ultrapassa o gosto, prende-se com o facto de os Depeche Mode serem uma banda que sempre apostou na electrónica, mesmo quando tudo à volta era rock. O seu 12º álbum de originais, “Sounds Of The Universe”, tem uma edição luxuosa trazendo um CD e DVD, e dá-nos a oportunidade de destacar uma das bandas mais influentes da cena electrónica.

Porquê o título “Sounds Of The Universe”?
Martin Gore (MG): Foi um nome que surgiu muito cedo. Por vezes os títulos surgem muito cedo no processo de criação e ficam, outras vezes não surgem e andamos no último minuto a tentar lembrar-nos de nomes para o disco. Neste caso surgiu logo e achámos que era um bom título porque resumia a natureza ecléctica das canções.
Dave Gahan (DG): Creio que as canções deste álbum são mais positivas, mais abertas espiritualmente, mais extrovertidas. Tentamos fazer uma música que seja visual e atmosférica. “Sounds Of The Universe” soa bem e eu gosto da arrogância implícita.
Andrew Fletcher (AF): A palavra “Universo” surgiu diversas vezes nas letras e nós achámos que era pomposo e dava um bom título.

Há alguns temas que explorem com mais insistência no novo álbum?
DG: Eu tenho sempre dificuldade em apontar temáticas que acompanhem o conteúdo das letras e da música, mas claro que existem e vão-se desenvolvendo à medida que o disco vai sendo criado. Há temas dentro das canções que têm uma ligeira relação entre si.
MG: Creio que há uma grande variedade de temas no disco mas não um único tema, além daqueles temas sobre os quais escrevo sempre (risos). Eu gozo com isso, com o facto de achar que escrevo sempre as mesmas canções, mas acaba por ser verdade até um certo ponto.
DG: Interpreto as canções do ponto de vista de como eu reagiria nessas situações, elas podem ser tanto situações do dia-a-dia como temas acerca de coisas que se passam no mundo. Uso a voz de acordo com aquilo que sinto face a um determinado tema. Quero arrastar as pessoas para dentro da canção.
AF: Os Depeche Mode sempre se debruçaram sobre temas da vida, o mundo em que vivemos. Musicalmente creio que fomos numa direcção ainda mais electrónica. O Martin desenvolveu uma obsessão por comprar sintetizadores velhos no e-bay. Isto tem sido muito interessante porque assim que chega um novo tratamos logo de o desembrulhar e experimentar. O Martin tornou-se um compositor muito prolífico nos anos mais recentes e acabámos por ter muito mais músicas do que teríamos normalmente.

Quanto tempo demorou este “Sounds Of The Universe” a fazer?
DG: A primeira vez que nos juntámos foi em Janeiro, na casa do Martin. Sentámo-nos no estúdio e ouvimos as coisas que ele tinha feito, eu juntei mais uma série de ideias de coisas que eu tinha feito e falámos. Quando nós tocamos no estúdio não é uma jam session, mas muitas vezes uma canção é estruturada com o Martin a tocar uma linha de guitarra ou comigo a cantar uma frase. O processo de criação começa por ser um atirar de coisas lá para dentro e depois torna-se mais importante retirar o que está a mais do que realmente juntar mais elementos. Antes de começarmos a gravação do disco eu voltei para casa, para Nova Iorque, e comecei a trabalhar com a minha voz nas canções do Martin, porque muitas delas me inspiraram verdadeiramente e queria acrescentar-lhes, dar-lhes algo com a minha voz. Comecei a trabalhar todos os dias nelas como se estivesse a ensaiar para uma tournée. Após algum tempo permiti-me fazer parte das canções e comecei a esquecer-me do que era suposto elas dizerem e concentrei-me naquilo que lhes poderia acrescentar e, espero eu, naquilo em que as pude melhorar. Quando nos juntámos depois disso, toda esta preparação serviu-me de muito, porque quando fui para estúdio – e eu canto ao vivo no estúdio – como se estivesse a cantá-la ao vivo, nada de vocal booths.
AF: Creio que levou cinco a seis meses a fazer este disco, que é o tempo normal para nós, e gravámos a maior parte das coisas em Nova Iorque e outras em Santa Bárbara, na Califórnia.

excerto da entrevista publicada na Dance Club nº143

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