// Entrevistas

27.12.2009

Abe Duque

Classe Musical

Nasceu como Carlos Abraham Duque Alcivar mas nós conhecemo-lo apenas como Abe, diminutivo de Abraham, e Duque um dos seus apelidos. O talento musical corria no sangue e foi graças ao seu pai, um pastor evangélico que era também um músico de mão cheia, que Abe viu a música entrar na sua vida através de aulas de piano, esse instrumento que encerra em si uma orquestra. Nos anos 80 Abe descobre o DJing e torna-se um obcecado por vinil e produção de electrónica, e compra o seu primeiro sintetizador com dinheiro ganho a entregar jornais. Nessa altura tocava teclas na Igreja onde o pai era pastor. Apesar da profusão de editoras que criou ao longo da sua carreira, Abe assinou já temas por alguns dos mais influentes selos da electrónica: Gigolo, Tresor, Imago, Disko-b, Oval, V2, Vortex, Sahko, Mainframe, Instinct, GiG, Tension, Abuse, Mille Plateaux. As suas colaborações em estúdio já contaram com nomes como Richard Dorfmeister, Jimmy Tenor, Blake Baxter, John Selway, Patrick Pulsinger e DJ Hell. E a sua carreira de DJ, que o leva pelo mundo, também já lhe garantiu uma residência no famoso club nova iorquino, Limelight.
Abe Duque tem um novo registo de originais e a conversa a que este deu o mote, ainda que virtual, foi muito interessante. Ficámos com vontade de falar mais com ele e de, certamente, ouvir a sua música.

Quando fizeste o teu novo álbum, “Don’t Be So Mean”, escolheste samplar um discurso político de Barack Obama. Como é que viveste a mudança política no teu país? Usar este sample foi uma forma de chamar a atenção das pessoas ou o Obama tem uma boa voz?
Na realidade ele tem uma voz óptima para samplar, mas a verdade é que ele proferiu afirmações que mudaram a face dos Estados Unidos e, com isso, alteraram o equilíbrio entre o bem e o mal no mundo. Ele motivou os americanos a acreditar nos ideais em que outrora todos acreditávamos ser os alicerces desta nação. As suas palavras mostraram-nos a necessidade de optarmos pelo caminho certo.

Além do sample político também optaste por um artwork forte, óbvio, e frontal. A quem é que gostarias de dizer “Não Sejas Tão Mau” (nr: o título do disco)?
A toda a gente, começando por mim, e levando a mensagem até às organizações e governos. É preciso acordar para o facto de até a nossa ignorância poder ser a mais malvada das coisas. Na capa do álbum tenho uma arma na mão e aponto-a para mim porque acredito que fazemos isto, de uma ou doutra maneira, todos os dias. Em meu nome há guerras a ser travadas e pessoas a morrer.

Como é o teu setup no estúdio hoje em dia: ainda usas hardware ou já te rendeste à evidência que o software faz tudo?
Não, ainda tenho muito hardware no meu estúdio. É a alma do meu estúdio. Contudo gosto de experimentar coisas novas e penso que os softwares de synths são muito divertidos. Encaro-os como uma continuação daquilo que sempre amei: tecnologia para fazer música.

Texto: Sónia Silvestre
www.myspace.com/abeduque 

excerto da entrevista publicada na revista Dance Club nº143

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