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// Entrevistas

11.01.2010

David Guetta

"One Love"

Ser DJ é tão fácil como parece?
Não vou dizer que sim porque não quero dar o segredo de mão beijada. Houve uma moda em Paris em que toda a gente pensava que podia ser DJ, eu não apoio isso. É como dar um piano a alguém que nunca tocou, tens que aprender como se faz. Podes fazer uma boa selecção e tocar discos de que gostas mas ser DJ é ser capaz de misturar e de levar as pessoas numa viajem e construir um set. Há muita gente que pensa ser capaz disto mas na realidade não é.

Quais são os teus discos de sempre?
“Controversy” de Prince”; “Blue Monday” dos New Order; “Inner City Blues” de Marvin Gaye; “As” de Stevie Wonder”; “Enjoy The Silence” dos Depeche Mode; “Rollin and Scratchin” dos Daft Punk; “Red” de Dave Clarke; “Don’t Believe The Hype” dos Public Enemy e “Promise Land” de Joe Smooth.

No teu novo álbum colaboras com Akon, Kelly Rowland ou com Will.I.Am dos Black Eyed Peas. Como é que conseguiste trabalhar com estes nomes enormes da cena americana?
A realização deste álbum foi extraordinária. Tanto para mim como para todos os artistas que nele participaram. Isto começou com o “One Love Takes Over” com a Kelly Rowland. Foi formidável. Na mesma semana recebo um telefonema do Will.I.Am que me pediu sons para o álbum dos Black Eyed Peas. Por isso, depois de ter seleccionado uns sons, encontrei-me com eles em Los Angeles para trabalharmos. E logo de seguida ocorreu-me: hoje é isto que quero fazer.

One Love é o álbum da tua consagração?
Seja como for já é um sucesso. Não sei se é o álbum da consagração, tenho alguma dificuldade em conseguir sentir-me completamente satisfeito com aquilo que faço. É sempre preciso ir mais longe, tenho sempre vontade de fazer melhor.

Então este disco tem, no mínimo, um sabor distinto dos outros?
Sim, este álbum trás consigo algo de muito novo. Com todos os riscos que isso implica. Mas eu sempre fiz a música que mais gosto, por isso arriscar não é algo que me incomode. Mais tarde, tudo parece muito evidente e que faz todo o sentido. Tenho a certeza que daqui a algum tempo se vai concluir que o casamento entre o electro e o hip hop era evidente.

Tornaste-te numa verdadeira pop star. No início da tua carreira imaginavas que ias ter todo este sucesso?
Não, de todo. Via-me com uma pequena carreira de DJ ou de produtor. Via-me sempre mais nos bastidores da cena do que à frente.

És a pessoa certa para pedir dicas sobre festas. Qual é a altura certa para chegar a uma?
Não há uma altura certa. Qualquer altura é certa para chegar a uma festa.

O que se deve tocar?
Deves ter uma boa mistura de clássicos e coisas novas e frescas. Se for uma festa em casa eu gosto de tocar temas pop dos anos 80 para manter a festa divertida. Num club queres ouvir música credível, mas em casa precisas de qualquer coisa que as pessoas possam cantarolar.

E, por fim, o que se deve beber?
Normalmente bebo água. Já sei, sou um chato. Mas champanhe também é óptimo, o meu preferido é o Veuve Clicquot.


www.davidguetta.com

excerto da entrevista publicada na Dance Club nº145

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