01.03.2010
Vítor Lima
From Brazil To The World
Apesar de falarmos a mesma língua a cena de Portugal e do Brasil está muito separada. O Vítor Lima vai mudar isso?
Se dependesse apenas de mim, com certeza tentaria aproximar ao máximo os brasileiros dos portugueses. A verdade é que tirando os grandes nomes mundiais como Guetta, Cox ou Morillo, as cenas nocturnas são muito fechadas no mundo todo. Mesmo aqui na América do Sul, é difícil ver um DJ argentino tocando no Brasil, ou um brasileiro tocando no Chile, por exemplo. Mas, acredito que com o passar do tempo apenas os DJs realmente talentosos atrairão a atenção do público, fazendo do mundo todo uma enorme pista de dança! Tenho feito minha parte para diminuir essa fronteira. Acredito que o maior passo foi a abertura de um escritório da Water Republic DJs Management em Portugal, uma filial de nossa agência de DJs aqui do Brasil com a responsabilidade de fazer o intercâmbio entre Portugal e Brasil. Por aqui o DJ Petrovic já é muito conhecido, e fiquei sabendo que o brasileiro Diego Falleiros fez muito sucesso em Portugal. Espero um dia poder passar música junto com o DJ Vibe e Pete da Zouk em grandes eventos no Brasil e Portugal.
Além do sucesso que fazes no Brasil também já começaste a internacionalização da tua carreira.
Minha primeira experiência foi na The Fridge e na The Cross, em Londres. Fiquei deslumbrado com Inglaterra, pela qualidade dos line ups dos clubs e pela oferta de discos e promos que a cidade oferece. Em minha segunda passagem pela Europa, voltei a Londres ao The Fridge e Seone, e depois fui a Portugal pela primeira vez. Fiquei no Porto por quase um mês, e toquei em muitos lugares inesquecíveis. Depois voltei a Europa em 2007, dessa vez para morar em Madrid, onde fiquei e fui residente do Club Avalon. Em 2008 tive minha consagração e toquei na Love Parade, em Dortmund. Passei também em países mais próximos do Brasil, como Argentina e Paraguai.
Ganhaste vários prémios, de qual te orgulhas mais?
De todos os prémios, o mais importante foi o primeiro. Fui escolhido o melhor DJ de Progressive House do Brasil pela primeira vez em 2001. Tenho muito orgulho porque ninguém esperava, era muito jovem e tinha mais energia que experiência. Fui eleito mais duas vezes como melhor DJ de Progressive House do Brasil e indicado várias outras, mas o importante de verdade é ser premiado todas as noites pela energia do público que paga para vê-lo passar música.
Além de DJ também és produtor, como foi o teu percurso de produtor?
Comecei a estudar produção muito jovem, quando a tecnologia era muito primitiva. Com o passar dos anos ganhei maturidade estudando muito e tendo grandes parceiros. Tenho faixas com Tchorta Boratto, irmão mais velho de Gui Boratto, Ali Disco B, Joe K e ultimamente fiz remistura para as bandas brasileiras Jota Quest e Killer on The Dancefloor. Agora tudo é muito mais simples, desde que me mostraram o Ableton Live, tenho feito quase um tema por semana. A maioria dessas nunca termino, mas as outras podem ser escutadas no www.myspace.com/vitorlima ou www.myspace.com/vicfromlyon, que é meu novo projecto de French House.
Texto: Sónia Silvestre
excerto da entrevista publicada na Dance Club nº148



