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// Entrevistas

23.03.2010

M.A.N.D.Y.

“Somos pagos para viajar. Tocamos por amor.”

Nunca vos devem ter perguntado isto (risos) mas o que é que significa M.A.N.D.Y., o vosso nome artístico?
Deixa-me pensar porque no início fartámo-nos de inventar histórias para justificar o nome, cada vez que nos perguntavam dizíamos uma coisa diferente. Provavelmente para nos manter interessados no nome. Na realidade só significa “eu e tu”, o Patrick e eu. O público e nós, etc.

Qual foi o vosso melhor gig nos últimos tempos?

Foram alguns. E algumas afterparties também. Em Berlim ao ar livre no Wilde Renate ou na after party em Ibiza depois do encerramento do Monza. E em Cuiaba no Brasil num club chamado Garage. Mas no fim tudo se resume às mesmas coisas: pessoas óptimas, um som poderoso, promotores simpáticos e, se possível, ao ar livre...

O Acid House foi o princípio de tudo para vocês. Como é que vêem hoje as pessoas que partilharam convosco essa revolução no final dos anos 80?
Bom, claro que é inevitável olhar para trás e ver que amas esta música já há 20 anos. Já é muito tempo, mas desde que continuemos a ficar excitados com alguns dos novos lançamentos acabamos por não nos questionar assim tanto. Claro que hoje é mais difícil ficarmos excitados com coisas como as festas mas, se não achássemos que continuam a sair discos extremamente bons deixaríamos imediatamente de fazer isto. Apesar de tudo ser DJ não é um trabalho. Tal como o Josh Wink disse uma vez: “Somos pagos para viajar. Tocamos por amor.” E é verdade.

Vocês andam na estrada há tanto tempo que devem ter uma saúde (e um fígado!) de ferro. Que conselhos têm para dar aos miúdos de 19 anos?
Não há grandes conselhos a dar a esses miúdos. Provavelmente a maioria deles sabe mais do que nós sabíamos na altura (para o bem e para o mal, desconfio). E é um caminho longo até ao topo se queres dar uma de rock & roll, é 90% de trabalho árduo e 10% de festa. Mas esses 10% são tão bons que vale bem a pena.

O que é que se segue para os M.A.N.D.Y.? Já conquistaram tudo o que queriam?

Não conquistámos tudo o que queríamos e provavelmente nunca o faremos. O futuro próximo passa pelo nosso álbum. Apesar de perdermos tanto tempo com as nossas compilações como muitos artistas perdem com os seus álbuns, ainda assim sentimos que temos que acabá-lo. Essa é a nossa primeira prioridade. Mas alem disto, claro que nunca paramos. Estamos a ficar um pouco perdidos com o excesso de festas dos últimos três anos, por isso é tempo de canalizar esta energia para o estúdio uma vez mais, e tentar traduzir todas as experiências boas e até as estranhas para canções. Alem de tudo isto é muito importante que alcancemos um equilíbrio na nossa vida. O Patrick tem uma namorada e está muito feliz. Eu estou prestes a mudar-me para Nova Iorque para experienciar uma nova cidade e uma nova vida. Mas de certeza que ainda estaremos aí para os quartos de final dos Rave Masters...

 

Texto: Fracisco Ferreira

excerto da entrevista publicada na Dance Club nº147

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