// Entrevistas

06.04.2010

Matias Aguayo

Mudança de Horizonte

De volta à sua antiga editora de Colónia, a Kompakt, Matias parece ter descoberto um novo instrumento essencial na sua produção, a voz. Todo o disco é repleto de camadas e camadas de voz, com efeito, sem efeito, com muita melodia e musicalidade. "Ay Ay Ay" passa pelo maximal, pelo breakbeat, pela música folk, chega quase ao trip-hop e arranha a electrónica dos anos 80, tudo isto fazendo com que esta obra seja ao mesmo tempo de fácil audição como estranhamente díficil de compreender.
Como já foi referido acima, a voz é uma parte crucial deste álbum, desde assobios, a gritos ou um simples trautear, e a nossa recepção a este novo mundo vocal dá-se logo à partida com o tema de abertura,"Menta Latte" onde quase de uma forma infantil Matias dá o mote cantando a linha de baixo como qualquer um de nós o faz quando a quer exemplificar a um amigo:"tu,tutu,tututu". "Ritmo Tres" é uma incursão no mundo do afro-beat, com base num break e uma voz que faz lembrar a música "Pea" de Red Hot Chilli Peppers.  de nós o faz quando a quer exemplificar a um amigo:"tu,tutu,tututu". "Ritmo Tres" é uma incursão no mundo do afro-beat, com base num break e uma voz que faz lembrar a música "Pea" de Red Hot Chilli Peppers. É então que chegamos áquele que gera um certo consenso sobre o tema do álbum, "Rollerskate".  A língua mais utilizada nesta obra é o espanhol, por razões naturais, mas surgem frases e apontamentos em inglês com um caricato sotaque, daí que ouvir Aguayo a cantar: "Roller, Roller, Roller, Skate, Skate" nos remeta para um passeio a ritmo constante por uma cidade acalorada. Nesta faixa reparamos no ponto alto deste conceito, uma quantidade de sons feitos por voz que conjuga em algo que podia muito bem ser obra de sintetizadores e computadores.
No fundo, "Ay Ay Ay" não é o que muitos esperavam, não é uma continuação do seu trabalho no minimal e não é de forma alguma uma continuação do trabalho que Matias Aguayo desenvolveu no passado. É sim um álbum com groove, estranheza, ritmos contagiantes, e acima de tudo é uma nova apresentação de um artista que evoluiu, cresceu e decidiu faze-lo nas direcções que ninguém esperava. Depois deste álbum, vai ser difícil para alguém dizer simplesmente:"O Matias Aguayo? É aquele gajo do techno".

Texto: Miguel Pité 

excerto retirado da Dance Club nº147

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