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// Entrevistas

22.04.2010

Mindskap

O Auto-didacta

Quem são as tuas referencias no que toca ao DJing?
Sem sombra de dúvidas o DJ Vibe, indispensável dizer que é o principal responsável pelo movimento underground da música electrónica em Portugal e o único português a alcançar posições cimeiras no conceituado top da DJ mag. Também gosto muito de ouvir Maurel & Fauvrelle, o Nuno Cacho e o Richard Jay, que foi o primeiro DJ que ouvi tocar.

A produção, surge como?
Sempre tive curiosidade em descobrir como se criava a música que ouvia e tocava, a produção veio por acréscimo mas também comecei bastante cedo. As primeiras brincadeiras começaram através do jogo “Music 2000” para a Playstation, naquela altura não tinha um PC que me permitisse fazer música no computador, e só mais tarde quando tive um PC novo é que comecei a usar programas mais apropriados para a produção. Em 2005 participei num concurso organizado pela Dance Club em parceria com a Lajja Recordings, no qual fui o vencedor e isso foi uma mais-valia para continuar acreditar.

Descreve-nos o teu processo de aprendizagem? Fizeste um curso? Tiveste um (ou mais) mentor?
Auto-didacta desde o início, apenas tive umas luzes por intermédio de amigos que já usavam programas de produção. Recordo-me que senti enorme dificuldade no inicio em fazer o beat 4/4 (risos), o facto de ver tantos quadradinhos fazia-me confusão, não sabia o que “pintar” e nem conseguia fazer um beat, mas foi só uma questão de tempo até me habituar e hoje segundo me dizem é uma das características que mais se evidencia nas minhas produções. O processo criativo vive da experimentação, mexer em tudo para perceber todas as funcionalidades, descobrir novas técnicas para “refrescar” o estilo e de certa forma evoluir ao longo do tempo.

Assinar um tema pela Kaos Records – o “Futureshock” – é um passo importante, como é que aconteceu isto? Enviaste o tema à Kaos? Como é que se consegue ser ouvido?
Sim, é com enorme orgulho que vejo o meu tema ser lançado pela primeira editora discográfica portuguesa especializada em música electrónica. A produção do “Futureshock” data de final de 2007, foi o primeiro projecto original que fiz após ter alcançado a 4ª posição do top de vendas Progressive House no Beatport com uma remistura para a editora dos Deep Dish. Nessa altura o Nuno Clam mostrou-se interessado num original meu para editar na Kaos e eu sugeri o “Futureshock”. Apesar de o tema ter saído apenas dois anos depois, o resultado foi extremamente positivo, pois atingiu a primeira posição de Electro House no site de vendas nacional dancefuel.

Pretendes continuar a tocar? Quais são os teus objectivos como DJ?

O facto de tocar inspira-me bastante quando estou em estúdio, sem dúvida que é um estímulo e um complemento essencial para qualquer DJ produtor. O meu principal objectivo como DJ é fazer as pessoas dançar e criar um bom ambiente no dancefloor. Adorava conhecer o mundo e tocar no estrangeiro em clubs conceituados como por exemplo o Womb em Tóquio ou Stereo no Canadá e também participar em eventos nomeadamente Winter music conference em Miami.

Texto: Francisco Ferreira

excerto retirado da Dance Club nº147

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