03.05.2010
Frankie Knuckles
“Não consigo tocar música descartável.”
O que acontece quando Frankie Knuckles se põe em frente aos pratos é uma espécie de magia. Ninguém mistura vozes como ele, é um DJ da velha escola, aquela em que a selecção musical está anos-luz à frente da técnica de mistura e em que o poder de uma boa canção é verdadeiramente ilimitado. Numa era em que o house comercial e descartável ganha terreno talvez seja realmente a hora de resgatar o house vocal de qualidade, a escolha de Knuckles ou dos Masters At Work, de Nova Iorque a Chicago e para o resto do mundo, este é o house que importa.
Nascido em 1955 no Bronx, Nova Iorque, Frankie Knuckles cresceu a ouvir jazz e conseguiria o seu primeiro trabalho como DJ em 1971. Era amigo de infância daquele que ganhou o título do DJ dos DJs, Larry Levan, e foi ao seu lado que trabalhou no famoso club Gallery em Nova Iorque até que, em 1977, se muda para Chicago para ser o DJ residente do Warehouse, de onde deriva a palavra “House”.
Com uma nova compilação no mercado, intitulada “Motivation Too”, Frankie Knuckles volta a dar as cartas da música que sempre defendeu. Quando é questionado sobre o estado da indústria musical actual e sobre o facto de tudo passar a uma velocidade muito maior, Knuckles é peremptório: “Tento não pensar assim. Se encontro uma música que realmente me comove, então ela vai ver na minha mala de discos durante muito e muito tempo. Agarro-me a elas porque é muito difícil arranjar boas canções – e esta é a grande lição a tirar daqui. Não me importo que as pessoas digam ‘Oh, esse disco é tão antigo e ele ainda o toca’, a isto apetece-me responder ‘então toca algo que seja melhor!’. Quem faz este tipo de afirmação são outros DJs, mas os DJs não pagam para entrar nos clubs e não dançam à minha frente por isso... não toco para eles! Toco para as pessoas que estão na sala. Ser actual e tocar a música mais fresca não é suficiente para mim porque recuso-me a tocar música descartável. Venho de uma escola na qual as músicas vivem muito tempo, tinham pelo menos 9 meses de tempo de vida. E depois disso transformavam-se em clássicos”.
Texto: Sónia Silvestre
excerto do artigo publicado na Dance Club nº148

