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// Entrevistas

04.08.2010

Pedro Cazanova

“Eu faço música, as pessoas fazem hits.”

Para a maior parte das pessoas tu apareceste com o “Selfish Love” mas a realidade é bem diferente, a tua carreira já era longa quando o teu tema se transformou num êxito. Conta-nos um pouco da era pré “Selfish Love”.

A minha carreira começou em 1997/8, nessa altura só passava música e a evolução foi a natural. Em 2000/2001 comecei a interessar-me pela produção e ainda demorei algum tempo até saber o que queria fazer. Aprendi a produzir sozinho, não tirei nenhum curso, por isso também demorei mais tempo. O meu primeiro tema foi o “Portuguese Guitar” que fiz para a Lisboa Parade. Depois fiz mais alguns temas e descobri o caminho que queria seguir, o house vocal. Mais tarde conheci a Andrea no W através da minha namorada, falei com ela e ela foi lá a casa um dia. Pedi-lhe para cantar em cima dum loop e vi que tinha boa voz. Disse-lhe para voltar na semana seguinte porque aquela não era a música para ela. A Andrea tinha gravado uma frase, e daquela frase fiz o “Selfish Love” todo. Depois chamei-a e ela gostou muito. Depois houve um problema que era a Andrea ter tempo para gravar aquilo. Demorámos três meses até ela conseguir gravar a música. Lá chegou o dia e a Andrea foi acompanhada de um amigo, o Bruno Veloso, que entrou como acompanhante e saiu a participar no tema!

 

Sentes a pressão, depois de teres feito um êxito como o “Selfish Love”, de ter que repetir o sucesso?

Claro que sim! Pensas sempre “E agora, faço o quê?”, e a única resposta possível é “vou fazer algo que goste”. Tanto que a minha música mais recente, “My Body & Soul”, as pessoas dizem que aquilo pode não ser um hit mas eu digo sempre a mesma coisa, eu não faço hits, eu faço músicas, as pessoas é que fazem hits.

 

O facto de a música ter tido tanto sucesso fez com que a tua agenda se tornasse muito preenchida. Como é que te adaptaste de passar de um DJ local para um DJ nacional e até internacional?

No início foi um verdadeiro boom. Acontece tudo muito depressa: de repente estou a gravar um teledisco, está a passar na TV, entro para a WDB, tenho datas seguidas de tal maneira que não consigo nem dormir nem ver a família... e já passou um ano. Se me perguntares se já parei para reflectir em tudo o que me aconteceu no último ano a resposta é: claramente, não. Tem acontecido tudo tão depressa que não dá para pensar, a resposta tem que ser “vamos trabalhar!”

Texto: Sónia Silvestre

Excerto de entrevista da edição n° 151 (Junho 2010)

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